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Desfibrilador Externo Automático

Passo a Passo e Importância na Sobrevivência

O Desfibrilador Externo Automático (DEA) é um dispositivo fundamental no suporte básico de vida (SBV), projetado para identificar ritmos cardíacos potencialmente fatais e administrar um choque elétrico controlado para restaurar a atividade cardíaca normal. Seu uso rápido e adequado é um dos fatores críticos para aumentar as chances de sobrevivência em uma parada cardiorrespiratória (PCR), especialmente de origem cardiogênica, como em casos de infarto agudo do miocárdio.

Em situações de PCR, cada segundo conta. A sobrevida da vítima cai cerca de 7% a 10% por minuto sem desfibrilação, e após 10 minutos sem atendimento eficaz, as chances de sucesso são mínimas. O DEA permite que mesmo socorristas leigos realizem a desfibrilação de forma segura e eficaz, seguindo instruções automatizadas e por comandos de voz.

A seguir, apresentamos um passo a passo detalhado para o uso correto do DEA, garantindo um atendimento eficiente e aumentando significativamente a chance de recuperação da vítima.

Posicionamento do DEA

  • O DEA deve ser posicionado ao lado da cabeça da vítima, em um local acessível para a equipe de socorro.
  • Evite colocá-lo próximo ao tórax ou nas áreas de compressão torácica, pois isso pode dificultar o atendimento.

Ligando o DEA

  • Assim que disponível, ligue imediatamente o aparelho, pois ele pode levar alguns segundos para iniciar.
  • O DEA fornece comandos de voz e orientações claras, guiando o socorrista passo a passo no atendimento.

Aplicação das Pás Adesivas

  • Remova a roupa da vítima para garantir a aderência dos eletrodos.
  • Se necessário, utilize o barbeador incluído no kit para retirar pelos do tórax e evitar interferências na condução elétrica.
  • Posicione corretamente as pás adesivas no tórax da vítima:
    • Uma no lado direito superior do peito, abaixo da clavícula.
    • Outra no lado esquerdo inferior, abaixo do mamilo e na lateral do tórax.
    • Em crianças pequenas ou casos específicos, pode ser necessária a aplicação ântero-posterior, com uma pá no centro do tórax e outra nas costas.

Análise do Ritmo Cardíaco

  • Após a fixação das pás, conecte os eletrodos ao aparelho, se necessário.
  • O DEA automaticamente analisará o ritmo cardíaco e emitirá um comando de voz.
  • Durante a análise, ninguém deve tocar na vítima, para evitar interferências.
  • O aparelho identificará se o ritmo é:
    • Chocável: Fibrilação Ventricular (FV) ou Taquicardia Ventricular Sem Pulso (TVSP).
    • Não chocável: Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) ou Assistolia.

Administração do Choque (Se Indicado)

Se o DEA identificar um ritmo chocável:

  1. O aparelho iniciará o carregamento do choque elétrico.
  2. Certifique-se de que ninguém está tocando na vítima antes de pressionar o botão de choque.
  3. Pressione o botão de choque quando o DEA indicar.
  4. Após o choque, reinicie imediatamente as compressões torácicas (30 compressões seguidas de 2 ventilações).

Importante: Em estudos clínicos, a aplicação do choque elétrico em até 3 minutos após o colapso da vítima pode elevar a taxa de sobrevida para até 75%.

Continuação da RCP e Reavaliação

  • O DEA reavaliará o ritmo cardíaco a cada 2 minutos.
  • Caso o ritmo cardíaco retorne (ROSC – Retorno da Circulação Espontânea), monitore a vítima e aguarde o suporte avançado.
  • Se a vítima continuar em PCR, siga as instruções do DEA e continue a RCP até a chegada do suporte avançado.

A Importância do Uso Precoce do DEA

A fibrilação ventricular é a principal causa de parada cardíaca extra-hospitalar, e o único tratamento eficaz para restaurar a circulação espontânea nesses casos é a desfibrilação precoce. O uso do DEA em menos de 5 minutos pode dobrar ou triplicar as chances de sobrevivência da vítima.

Além disso, o DEA é projetado para ser intuitivo, permitindo que qualquer pessoa – desde profissionais da saúde até cidadãos comuns – possa atuar rapidamente em uma emergência. Quanto maior a acessibilidade a DEAs em locais públicos e treinamentos de leigos, maior a taxa de sobrevivência da população em casos de PCR.

Nos últimos anos, países que implementaram programas de desfibrilação pública em locais de grande circulação, como aeroportos, shopping centers e academias, conseguiram aumentar significativamente a taxa de ressuscitação em PCRs atendidas precocemente.

A rápida identificação da PCR, o início imediato da RCP e o uso precoce do DEA formam a tríade essencial para maximizar a sobrevivência. Portanto, quanto mais pessoas souberem utilizar o DEA corretamente, mais vidas poderão ser salvas.

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